terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Espécies Invasoras

Actualmente, algo de intrigante está a acontecer: uma nova forma de poluição provocada por animais e plantas que evoluíram noutros lugares do planeta e que estão a surgir onde não são desejados. Os biólogos chamam-lhes «espécies invasoras».
Os mexilhões-zebra, por exemplo, são moluscos do tamanho da unha de um polegar, autóctones do mar Negro, que se amontoam nas rochas e nas canalizações, em enormes aglomerados. Em dois anos invadiram as zonas baixas dos Grandes Lagos, nos EUA e no Canadá, provocando prejuízos na ordem das centenas de milhões de euros. As condutas das empresas de serviço público e das fábricas ficaram revestidas de mexilhões, as luzes enfraqueceram, os lemes dos navios bloquearam, as empresas encerraram. Os grandes cargueiros foram os responsáveis pela sua introdução nesta zona do planeta.
Entre todas as espécies invasoras, as mais destrutivas são as plantas agressivas. Durante a Segunda Guerra Mundial, uma trepadeira oriunda da América Central e do Sul foi plantada na Índia para camuflar bases aéreas. Actualmente, esta planta invade florestas, camufla grandes áreas do Sul da Ásia e sufoca a vida debaixo do seu manto.
Até um comum gatinho pode provocar prejuízos consideráveis no ecossistema: dezenas de milhões de gatos domésticos vivem à solta, matando centenas de milhões de aves canoras, répteis e mamíferos.
Devido à movimentação humana, muitos ecossistemas espalhados pelo globo estão tão mudados que já não são reconhecíveis.

domingo, 29 de dezembro de 2013

A controvérsia dos Organismos Geneticamente Modificados

Os OGM são organismos geneticamente modificados cujo genoma foi manipulado, apresentando diferenças relativamente à sua constituição original. Os OGM respondem a uma necessidade social, dado que a manipulação genética em plantas de cultivo confere-lhes novas características, tais como, maior resistências a doenças, a herbicidas, ao calor, à seca, à geada e redução das necessidades de fertilizantes; permite ainda o desenvolvimento de produtos com maior valor nutritivo e qualidade alimentar.
Contudo, é claro que existem interesses económicos nada defensáveis envolvendo os transgénicos. Assim é necessário distinguir claramente a ciência envolvida com os OGM do uso que se pode fazer dessa ciência.
A chegada ao mercado das plantas transgénicas teve um efeito colateral retumbante, uma luta dos ambientalistas contra os industriais. Os opositores não se declaram contrários aos OGM e à bioengenharia, apenas querem a realização de experiências e análises exaustivas até que fique provado, de forma inequívoca, a sua inocuidade para o homem e o ambiente, defendendo também a rotulagem dos produtos, como forma de garantir ao cidadão o exercício do direito de optar ou não pelo consumo de OGM.
As preocupações referem-se a possíveis impactos negativos dos transgénicos sobre a biodiversidade, ao medo de reacções alérgicas ou tumores/cancros nos seres humanos, e à concentração do poder económico pelos grupos transnacionais possuidores desta ciência. Quanto à biodiversidade, existe o risco de eventual contaminação de seres vivos pela troca de genes com os OGM. Reacções alérgicas aos alimentos, ao que parece, são muito comuns, podendo também ser activadas pelos transgénicos. Sabe-se ainda que a inserção de genes em determinados locais do genoma pode activar oncogenes, responsáveis pelo aparecimento de cancros e tumores.
Fica deste modo em aberto: serão as manipulações genéticas seguras a este nível? Não poderão os OGM transportar outros genes para além dos desejados? Não poderão as novas tecnologias ser postas ao serviço de corporações, aumentando-lhes o poder económico?

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Sistemas De Classificação

Para facilitar a compreensão da evolução e da actual diversidade, os biólogos utilizam sistemas de classificação, agrupando os organismos de acordo com as relações filogenéticas. Um dos sistemas de classificação mais utilizados foi proposto por Whittaker (1979). 

Este sistema de classificação agrupam os seres vivos em cinco reinos. 

Reino Monera 
organismos unicelulares, procariontes; autotróficos (fotossíntese e quimiossíntese) e heterotróficos; produtores e microconsumidores (decompositores e parasitas). 

Reino Protista 
organismos unicelulares, alguns coloniais e pluricelulares; autotróficos (fotossíntese) e heterotróficos (absorção e ingestão); produtores, microconsumidores e macroconsumidores. 

Reino Fungi 
seres unicelulares e pluricelulares sendo todos eucariontes; absorvem as substâncias alimentares do meio, digerindo-as no interior das suas células; muito deles são decompositores, sendo outros parasitas. Um pequeno númeor vive em simbiose com outros seres (como os fungos associados a algas formando os líquenes). 

Reino Plantae 
seres pluricelulares eucariontes; produzem compostos orgânicos, a partir de compostos inorgânicos, através da fotossíntese; são produtores. 

Reino Animalia 
seres pluricelulares, eucariontes, incapazes de produzir compostos orgânicos, a partir de compostos inorgânicos; ingerem o alimento e procedem à sua digestão fora das células, absorvendo, em seguida, os produtos resultantes; são macroconsumidores.


segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Células estaminais

Células estaminais
O recurso a células estaminais para combater doenças debilitantes está rodeado de controvérsia.
As células estaminais são células não especializadas que possuem a capacidade de se transformarem em qualquer tipo de tecido humano. Constituem, portanto, um recurso eficaz na criação de tecidos e órgãos saudáveis, permitindo curar doenças mortais.
A investigação científica em células estaminais embrionárias começou nos EUA, mas o despertar de preocupações éticas restringiu o seu financiamento.
No Reino Unido, autoriza-se a colheita deste tipo de células em embriões não utilizados na fertilização in vitro e a clonagem de embriões especificamente destinados à investigação. Outros países, no entanto, manifestam-se claramente contra a investigação em embriões que, de acordo com o Vaticano, é «um acto gravemente imoral». Porém, a utilização de células estaminais embrionárias parece estar para breve: os investigadores esperam testá-las já em 2006.
A células estaminais adultas são mais escassas e mais difíceis de desenvolver.
Os transplantes sanguíneos do cordão umbilical realizam-se desde 1988 e são considerados uma terapia com células estaminais adultas, pois estas provêm de bebés e não de embriões. Ao contrário do que sucede numa transfusão de sangue simples, as células estaminais presentes no cordão umbilical têm capacidade para se fixar na medula óssea e produzir células sanguíneas e imunitárias para toda a vida.
Em Portugal, o transplante de células estaminais adultas já é efectuado no tratamento de algumas patologias, como a leucemia e alguns linfomas.


Revista Science retracta-se no caso de fraude de investigador sul-coreano com células estaminais
A revista Science, uma das mais prestigiadas revistas científicas do mundo, publicou, em 2004 e 2005, dois artigos falsos do cientista coreano Hwang Woo-suk sobre a criação de linhas de células estaminais para fins terapêuticos. Os seus estudos sobre células-tronco de embriões humanos clonados, que geraram esperança em casos de doenças consideradas até agora incuráveis, tinham sido alicerçados em dados falsos.
Na sequência do facto, o director da Science anunciou a tomada de algumas medidas para evitar que casos como este se repitam, no entanto acredita-se que não se consiga conceber um sistema perfeito para evitar fraudes.
Hwang Woo-suk, que tinha sido elevado à categoria de herói nacional pela Coreia do Sul, é agora considerado um vilão. Os resultados do seu trabalho representavam um trunfo na área da biotecnologia, mas o ídolo tinha pés de barro.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Perda de biodiversidade em Portugal

A perda de biodiversidade em Portugal é elevada, o que significa que um número cada vez maior de espécies se encontra em vias de extinção. As causas são várias: destruição dos habitats, perseguição humana, doenças ou o aparecimento de espécies invasoras.
42 por cento das espécies de vertebrados estão ameaçadas e são os peixes de água doce e migradores que enfrentam as maiores dificuldades de sobrevivência. No nosso país, 19 espécies, 17 das quais aves, já foram extintas. Entre elas encontram-se o esturjão, o urso pardo e o falcão-da-rainha. A águia pesqueira está em perigo de desaparecer definitivamente porque só existe um macho no Sudeste alentejano. A cabra montês, por seu turno, reapareceu no Parque Nacional da Peneda-Gerês devido às medidas tomadas pela Galiza para o repovoamento da espécie e o esquilo, cuja situação há alguns anos atrás era preocupante, atingiu entretanto populações estáveis.
69 por cento dos peixes, 38 por cento das aves, 32 por cento dos répteis, 19 por cento dos anfíbios e 26 por cento dos mamíferos estão em risco.
A destruição, a fragmentação ou a deterioração dos habitats são os factores que ameaçam a biodiversidade portuguesa e as estruturas edificadas pelo homem encontram-se na origem desta perda de território essencial para as espécies. Há, porém, outras ameaças que se têm mantido ao longo dos anos: a perseguição humana, as espécies invasoras, as doenças e os atropelamentos. O facto de existirem populações isoladas, também aumenta a sua probabilidade de extinção.
Para mais informações sobre o assunto, consultar: Livro Vermelho, da Assírio e Alvim e a Lista Vermelha de espécies ameaçadas, publicada anualmente pela União Internacional para a Conservação (UICN).

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Organismos geneticamente modificados: que futuro?

Um organismo geneticamente modificado é um microrganismo, um vegetal ou um animal cujo genoma inclui um fragmento de DNA alheio que foi inserido por um procedimento experimental de recombinação (o que exclui a transferência de DNA viral por um processo infeccioso natural). O DNA alheio adquirido por um OGM faz parte integrante do material genético do seu hospedeiro. É transmitido à sua descendência que constitui uma nova estirpe de organismos vivos.
Como aplicação na biotecnologia moderna, esta técnica permita seleccionar genes individuais para serem transferidos de um organismo para outro, até mesmo entre espécies diferentes.
A transgénese é, assim, uma forma de mutação experimental. O temor associado à manipulação genética é ilustrado pela parábola do Dr. Frankenstein: «Querer criar a criatura perfeita a partir de pedaços de outras pode resultar numa monstruosidade e, o que é pior, numa monstruosidade incontrolável!»
- Prós e Contras da manipulação genética
Qualquer que seja a invenção na área da genética levanta questões éticas e divergência de opiniões.

Prós
Não é verdade que a transgénese cause, inevitavelmente, sofrimento aos animais.
A transformação genética, ao permitir introduzir características consideradas interessantes surge como uma alternativa de enorme potencial.
As plantas transgénicas não têm a toxicidade, os compostos cancerígenos, ou alergénios como muitos corantes, conservantes e outros aditivos que são adicionados a muitos produtos alimentares que consumimos e contra os quais, infelizmente, poucas vozes se levantam.
Para finalizar, a Engenharia Genética, para além de cumprir objectivos científicos e comerciais, cumpre também objectivos humanitários.
Os alimentos transgénicos não apresentam mais riscos para a saúde do que os tradicionais.
Uma planta transgénica possui a mesma garantia que um medicamento, pois passa por controlos adicionais que não são exigidos a um alimento normal.
Não é verdade que as culturas transgénicas se irão impor na agricultura, de modo a acabar com a subsistência rural dos países em vias de desenvolvimento assim como a sua economia.
Estes são alguns argumentos a favor dos OGM.

Contras
Quanto aos argumentos contra estes organismos temos por exemplo o facto de os animais serem providos de sistema nervoso e de uma sensibilidade muito comparável à nossa. A transgénese implica o sacrifício de animais para a criação de estirpes.
Os animais, ao terem um organismo tão complexo serão os cientistas capazes, na verdade, de controlar e prever todos os efeitos que possam ocorrer, será outro aspecto importante.
A modificação genética de plantas coloca problemas quanto ao seu impacto no ambiente natural e à sua utilização enquanto alimentos. Nestes casos, só podem ser utilizados genes sem efeitos nefastos para não contaminar plantas de cultivo e selvagens vizinhas.
Esta técnica é admissível mas deveria restringir-se tanto quanto possível!

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

O ciclo do carbono

A luz do sol é, actualmente, 25 por cento mais intensa do que quando o sistema solar era ainda recente, o que deveria ter como consequência uma Terra muito mais quente. No entanto, o nosso mundo mal foi afectado por ela.
O que é que mantém o globo terrestre estável e fresco?
A vida. Um número monumental de organismos marinhos vivos de que a maior parte das pessoas nunca ouviu falar: foraminíferos, cocolitos e algas calcárias capturam o carbono atmosférico sob a forma de dióxido de carbono quando este cai na água da chuva e utilizam-no como parte constituinte das suas minúsculas conchas.
Até agora, os oceanos e as florestas da Terra (que também armazenam muito carbono) têm conseguido salvar-nos de nós próprios e da quantidade de dióxido de carbono que lançamos na atmosfera, mas, no futuro, há a possibilidade de ocorrer um aumento galopante e incontrolável do aquecimento da Terra. Não conseguindo adaptar-se, muitas árvores e outras plantas acabariam por morrer. Já houve ciclos como este no passado, mesmo sem o contributo do homem. Mas, felizmente, a natureza tem a capacidade de se regenerar. É quase certo que o ciclo do carbono acabaria por se reequilibrar, devolvendo ao nosso planeta a sua estabilidade e bem-estar. A última vez que isso aconteceu, demorou apenas 60 mil anos.
Anualmente, o homem despeja oito mil milhões de toneladas de carbono na atmosfera.
Sempre que o motor de um carro é ligado ou acendemos uma luz estamos a acrescentar dióxido de carbono à atmosfera. Em média, o contributo de cada cidadão português pode elevar-se a 1,6 toneladas de carbono por ano.
O degelo dos glaciares, as primaveras mais precoces e a subida da temperatura média a nível mundial são apenas alguns prenúncios do aquecimento da atmosfera por efeito de estufa.
As florestas, as savanas e águas dos oceanos absorvem cerca de metade do dióxido de carbono que emitimos, abrandam a sua acumulação na atmosfera e atenuam os seus efeitos sobre o planeta.
Verões abrasadores, temperaturas mais violentas, padrões de pluviosidade alterados e variações das espécies de flora e fauna são algumas das alterações mais suaves que o aquecimento global poderá provocar.
Se a natureza deixar de nos ajudar, é possível que nos confrontemos com mudanças drásticas antes de 2050. A catástrofe será rápida de mais para reagirmos.
A ciência promove soluções como automóveis alimentados a hidrogénio e a redução das emissões de gases com efeito de estufa, mas estas encontram-se ainda numa fase de realização muito precoce.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Powerpoint sobre Reprodução Humana e Manipulação da Fertilidade


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terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Powerpoint sobre Reprodução Humana - Aparelho Reprodutor Masculino


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domingo, 1 de dezembro de 2013

Powerpoint sobre Transmissão da Vida - Reprodução


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sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Regulação nos Seres Vivos


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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Teste de Avaliação sobre Reprodução


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segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Ficha de Trabalho sobre Anatomia e Fisiologia Reprodutiva / Gametogénese


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sábado, 23 de novembro de 2013

Ficha de Trabalho sobre os Sistemas Reprodutores Masculino e Feminino


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sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Determinação do Epicentro de um Sismo

A distância epicentral corresponde à distância que vai do epicentro à estação sismológica, podendo ser medida em quilómetros e em ângulo epicentral. O ângulo epicentral corresponde ao ângulo formado por um raio terestre que passa pelo epicentro e por outro raio terrestre, que passe pela estação sismológica. A determinação da distância epicentral necessita do conhecimento do atraso S-P. O efeito da diferente velocidade das ondas sísmicas observa-se através de uma análise de vários sismogramas do mesmo sismo. Quanto maior for a distância epicentral, maior será o efeito da diferença de velocidade, pelo que maior será o valor do atraso S-P. Ao analisar a figura ao lado, onde estão representados três sismogramas registados nas estações A, B e C, e o comportamento das ondas sísmicas (ondas P, S e L) em função da distância epicentral, pode concluir-se: 

-quanto maior é a distância epicentral, maior é o atraso S-P, o que é visível através do amior afastamento das curvas de velocidade das ondas sísmicas e d maior afastamento existente entre a chegada das ondas P e das ondas S nos sismogramas; 

-o registo da chegada das ondas P é tanto mais tarde quanto maior é a distância epicentral; a velocidade das ondas P aumenta com o incremento da distância ao epicentro; 

-a velocidade das ondas S aumenta com o incremento da distância ao epicentro; 

-a velocidade das ondas L mantém-se constante, independemente da distância epicentral. 

A distância epicentral pode-se determinar através de uma tabela de distância-magnitude-amplitude, através de tabelas já existentes para o efeito e, empiricamente, através de uma fórmula. Os sismos, quanto à distância epicentral, podem ser considerados sismos locais (distância epicentral menor que 150 km), sismos próximos (distância epicentral menor que 1000 km) e sismos distantes (distância epicentral maior que 1000 km).


quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Geologia conventual


Embora a dimensão territorial do nosso país seja pequena basta observar superficialmente uma carta geológica de Portugal para, de imediato, se constatar a enorme diversidade dos nossos recursos geológicos. Esta diversidade encontra-se, obviamente, reflectida nas inúmeras produções literárias nacionais e na obra de variadíssimos autores. Não é difícil, assim, enquadrar uma saída de campo a um qualquer local do país numa teia de relações entre a Literatura e a Geologia, sendo esta interdisciplinaridade de particular importância nalgumas situações. É o que sucede entre a a história geológica da região de Sintra-Mafra e a obra de José Saramago, Memorial do Convento. 

Tendo participado numa incursão a Mafra com alunos do ensino secundário (cruzando as disciplinas dePortuguês e de Biologia e Geologia), aqui ficam alguns registos dessa jornada. 

O excerto seguinte relata a história geológica da região onde se insere o Palácio e Convento de Mafra:
"As rochas encontradas na região de Sintra - Mafra reflectem duas fases importantes e distintas da História Geológica da região. Por um lado, testemunham vários episódios sedimentares em que se formaram espessos depósitos calcários, muitas vezes intercalados com níveis margosos ou até areníticos (Jurássico – Cretácico, entre 160 a 90 Ma atrás). Por outro lado, são evidência dos fenómenos magmáticos e vulcânicos que se deram na região por volta dos 100 e 70-80 Ma e que levaram à formação de Filões basálticos ainda hoje observáveis na região de Mafra, e à instalação do Maciço Eruptivo de Sintra, que se encaixou entre formações do Jurássico Superior.
De facto, com base nos tipos litológicos sedimentares, suas características (fácies) e conteúdo fóssil, é possível inferir a paleoecologia da região antes da instalação do Maciço, ou seja, a sequência de ambientes que se sucederam ao longo do tempo e que serviram de base à formação das rochas sedimentares. De seguida será, então, apresentada a síntese geológica da região envolvente , baseada nas rochas que actualmente se encontram na região e parcialmente representadas no edifício do Palácio.
As rochas mais antigas expostas nesta região datam de há cerca de 160 milhões de anos , do Jurássico Superior e depositaram-se em ambiente marinho relativamente profundo, longe da influência dos materiais trazidos do continente emerso. No entanto, até ao início do Cretácico, a profundidade foi diminuindo progressivamente e o ambiente de deposição passou, sucessivamente, a marinho menos profundo, recifal, laguno-marinho, fluvial e lacustre. Testemunho destas alterações são as rochas que se foram formando e encerrando em si informações que nos permitem estas inferências, quer em termos da variação da granularidade dos sedimentos, quer em termos do seu conteúdo fóssil. Durante o Cretácico continuam a verificar-se oscilações do nível do mar e, consequentemente, os ambientes de deposição variaram ciclicamente: marinho mais ou menos profundo, recifal, laguno-marinho e fluvial. É de referir que o ambiente fluvial é mais importante neste Período do que no Jurássico, pois são frequentes e espessas as intercalações de arenitos, conglomerados e argilas com vegetais fossilizados, que traduzem o depósito de material trazido pelos rios e proveniente da erosão continental das rochas dos maciços antigos (granitos, quartzitos, grauvaques, chertes, etc.). Esta evolução dos ambientes de deposição nesta zona (antiga Bacia Lusitânica) foi fortemente condicionada pelas diversas fases de abertura do Oceano Atlântico, o que explica, por isso mesmo, as oscilações do nível de costa no litoral do nosso país.
Durante os Períodos Jurássico (Superior) e Cretácico, o território português encontrava-se a latitudes mais baixas do que as actuais (entre 20 a 30º N), onde o clima era quente e húmido, com alternância de estações menos bem marcada. Aliás, as rochas que datam do Cretácico Superior (Calcários com Rudistas ou Lióses, as mais abundantes no edifício do Convento), são testemunho de um ambiente tropical, com águas quentes, pouco profundas e límpidas, propícios à formação dos chamados "Bancos de Rudistas", aglomerados coloniais destes organismos, com características recifais. Neste Período (há 91-92 MA) verificou-se um novo máximo transgressivo - o Atlântico avançou sobre o continente dando origem a um golfo de pequena profundidade.

Actualmente, a entidade geológica dominante na Região de Sintra é o Maciço Eruptivo de Sintra. Este maciço instalou-se, em grande parte, em profundidade, em períodos de idade que vão desde os 95 a 72 milhões de anos, encaixando-se entre formações do Jurássico Superior e dando origem a uma cintura de rochas metamórficas, os calcários de S. Pedro e os 'Xistos' do Ramalhão.

Nesta região, pode, então, falar-se em duas fases geológicas distintas - um conjunto de episódios sedimentares (Jurássico-Cretácico) e uma fase magmática (instalação do Maciço Eruptivo de Sintra) que modificou, evidentemente, o registo sedimentar existente."

(in Cachão, Silva e Santos, PALEOMEMORIAL DO CONVENTO: O Património Geológico do Palácio e Convento de Mafra, Departamento de Geologia, Faculdade de Ciências, Universidade de Lisboa.) www.cienciaviva.pt/veraocv/geologia/geo2001/paleomemorial.pdf
Escrito por José Salsa

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Recursos Minerais utilizados na construção de Monumentos e Estatuária na região de Coimbra


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sábado, 5 de outubro de 2013

Ficha de Trabalho de Biologia e Geologia - Geologia Planetária


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Ficha de Trabalho de Biologia e Geologia - As Rochas Sedimentares


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